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As Crónicas da Vítima

As Crónicas da Vítima

O teu olhar

06.02.17 | Bruno
Todos os dias, todas as noites, receava as ruas da cidade, porque o risco de passar por ti era enorme.
Hoje, sei que o simples pensamento de ti, pode atrair-te... e mesmo mais tranquilo, ainda penso em ti, na ânsia de ter um vislumbre do teu olhar.

P'ra lá de mim

05.02.17 | Bruno
Há, p'ra lá de mim, todo um turbilhão de emoções.
E adivinho-te no rosto, a marca da tristeza, da mágoa.
Magoa-me? Porque haveria? A minha mágoa vem de mim, de dentro da minha alma. Bem no âmago do meu ser, existe aquela angústia que não me canso de remexer, que não me canso de abraçar.
Adivinho-te no rosto, o sorriso de quem recebeu algo especial. Adivinho-te a tristeza no olhar.
Traço, pelo espaço imaginário da minha alma, um gesto lento, como de pretendesse abraçar o mundo, como se pretendesse afastar todo o mundo.
Não há palavras que descrevam estas emoções: podem chamar-lhes poesia, loucura... tanto faz. A vida é um nunca mais acabar de ilusões, a quem se pede mais e mais a cada vez que passa. E eu adivinho-te no olhar adivinho mágoa.
Há, p'ra lá de mim, todo um mundo de coisas inomináveis. E tu não me adivinhas a angústia na alma.

Sobre princípios

05.02.17 | Bruno
Parece que ficam muito admirados (ou muito ofendidos, não sei bem), por estar confortável comigo mesmo. Por estar de bem com a pessoa que sou, por não fazer exclusão de partes, quando há problemas entre duas pessoas com quem me dou, mas que não me envolvem a mim.
Recordo-me de, há largos anos atrás, tentarem fazer-me escolher entre amigos, com uma amizade de alguns anos, e duas pessoas recentes, à altura, na minha vida. Aconteceu que decidi ficar com ambas as partes e isso foi um desagrado.
Nunca pensei propriamente em quais seriam os meus princípios de vida, mas acabei por reger-me por um qualquer código, por uma qualquer conduta, que, mesmo sem muito pensamento sobre ela, atraiu muito respeito de muita gente. Hoje, mais que nunca, tenho a certeza de quem sou, do que quero e do que não quero para a minha vida, mesmo que não haja um verdadeiro pensamento sobre o assunto, mesmo que não tenha sequer ponderado o que é que eu via como uma regência de vida. E, mais que nunca, sinto-me certo neste meu jeito de ser.

Entretém

05.02.17 | Bruno
Como é que se entretém alguém, cuja noite foi de insónia, após ter chegado tarde a casa?
Mete-se a ler novos blogs, a seguir autores que lhe tenham agradado e a divertir-se com o drama que algumas pessoas criam. No fundo, batem com a mão no peito e parecem bruxas, aparecendo ao mínimo mencionar de seus nomes.
Felizmente, não me entretenho a criar drama, mas posso sempre divertir-me com a estupidez alheia.

As coisas são bem melhores

05.02.17 | Bruno
Sabes?,  as coisas são bem mais do que isto, as coisas são bem melhores do que isto.
Um dia de merda é um dia de merda e pouco se pode fazer, senão sorrir, mesmo quando parece impossível. Levanta a cabeça, mete aquele sorriso no rosto, ainda que não mostres os dentes e que pareça provocador. Um dia de merda, não invalida que seja outro dia. E, depois de tudo o que já se passou, sabes que é uma bênção.

Um estranho sentimento

02.02.17 | Bruno
A música fala por si. A música diz tudo. Ana Moura, fez uma maravilha neste Fado.

A música tem destas coisas. Destas coisas engraçadas, sabes? Especialmente quando te toca, na alma, bem dentro de ti, quando te leva ao sentimento mais íntimo de ti mesmo.
Não tenho escrito o que deveria escrever. Contudo, uma noite de música brota, de mim, certas palavras, certos sentimentos, que julgava mortos ou adormecidos, pelo menos, há bastante tempo. E aqui fui ficando, sentindo, sofrendo intimamente, sentindo que é uma bênção estar só, pois não me perguntarão o que sinto, o que me vai no coração (um enfarte?), dada a transparência no meu rosto.
Passa - se bastante tempo antes que consiga escrever, após uma paragem, forçada pela falta de palavras. Ou pela falta de... conhecimento, sobre como irei exprimir o que me vai aqui dentro. Mas quando recomeço, torna-se quase uma compulsão, mesmo que possa não ter nada de jeito a escrever. 
Perdoa - me se não te escrevo, que tanto te quero e não tenho sentimento para ninguém mais. Perdoa - me se substituí as palavras de amor e dor, pela chama das velas, a fim de que nunca falte luz no teu caminho. Perdoa - me se o meu sentimento é tão forte, que te chamo por vias misteriosas, por um qualquer chamamento oculto, que nem eu entendo, nem sei qual é. E se "por ti sofro e vou morrendo, não te encontro, nem te entendo, amo e odeio sem razão", perdoa - me que seja sempre sombra no teu caminho e perdoa - me por te colocar o peso de demónio e anjo redentor.
Nesta madrugada de chuva... em que começam a faltar palavras para descrever tudo... tudo, tudo... em que deveria estar a dormir ou quase a acordar, preferia andar por aí, voltas nocturnas de carro, encontros secretos com o mar dos meus sonhos.
Se o vês. Se o sentes, esse meu chamamento, vem. Se o sentes, esse sentimento que apenas eu possuo, mascarado de obsessão, a fumar um cigarro e já a pensar no próximo, vem e liberta - me. Ou toma - me como teu. Reclama - me como outra parte muito estranha de ti. Se vês, se sentes, deixa - me consumir neste sentimento, que não é nada, sendo tudo. Deixa-me  consumir nesta verdade, nesta ansiedade, sem que haja calma possível, sem que hajam mágoas. 

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