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As Crónicas da Vítima

As Crónicas da Vítima

52 Semanas de 2022 | Oito Factos Sobre Mim

10.04.22 | Bruno

Ainda que seja Domingo, vou fazer o 14º ponto do desafio das 52 semanas de 2022, que não fiz até agora, por mero esquecimento. Por algum motivo, pensei que o tinha feito e ontem ou anteontem, apercebi-me de que deixei esta semana por fazer. Então, cá vamos:

  1. Tenho 34 anos e estou a caminho dos 35;
  2. Não terminei o ensino secundário, mas caso o tivesse feito e tivesse seguido para o ensino superior, teria estudado artes. Desenhar era a minha paixão e era onde "descarregava" a minha alma;
  3. Mantive-me sozinho toda a vida, tendo tido apenas duas relações no início da idade adulta. Vi-me e tive-me sozinho nas piores fases da minha vida e aprendi a ser só;
  4. Gosto imenso do campo. Do silêncio da minha aldeia quase deserta e de todo o verde à minha volta. Gosto de caminhar entre as árvores e de sentar-me num ponto alto, admirando a natureza à distância;
  5. Apesar de rir, gracejar e fazer piadas e apesar de ser o "parvalhão", na verdade a minha alma é banhada a melancolia.;
  6. Costumo trabalhar em cafés e gosto do que faço, ainda que, por vezes, tenha o sentimento de ingratidão presente;
  7. Sou desconfiado;
  8. Bem, este não vem como uma surpresa: escrevo num blog!

Uma Partilha Sobre Para Que Estou A Viver

08.04.22 | Bruno

morre menos gente de cancro ou de coração do que de não saber para que vive; e a velhice, no sentido de caducidade, de que tantos se vão, tem por origem exactamente isto: o cansaço de se não saber para que se está a viver.

Agostinho da Silva

Esta frase foi partilhada pela Ana. No final da partilha, a Ana lançou um desafio para que as pessoas marcadas na publicação partilhassem sobre para que estamos a viver. E, sinceramente, entrar nos últimos desafios de escrita tem-me demonstrado que não tenho praticado o bastante a minha escrita, que não tenho pensado o suficiente em algumas questões que, se calhar, atravessam a mente das pessoas, que não tenho feito uma verdadeira introspecção, senão pelos meandros da minha angústia.

Sobre para que estou a viver é, na verdade, uma muito boa questão. É uma questão à qual não sei responder, pelo menos imediatamente. Acredito que, neste momento, estou a viver para chegar ao fim do dia e, quando me deito, para acordar para mais um dia. Estou a viver para encontrar algo: algo que procurei antes, com o qual me desiludi e que, se me perguntarem, afirmo abertamente que não quero nem preciso algo que, na realidade, estou a ver se floresce. Vivo para que possa escrever um pouco mais e escrevo para viver um pouco melhor.

No fim de contas, é como diz aquela frase:

„A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos…“ —  Pablo Picasso

E, no fim, estou a viver para saborear cada instante.

 

Desafio De Escrita do Triptofano | Soprei As Bolinhas de Sabão

01.04.22 | Bruno

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Pus a mala às costas e saí pelo mundo. Com a minha palhinha e água com sabão, larguei os meus sonhos, as minhas ilusões.

Um a um, os meus sonhos tornavam-se distantes. Ao pôr do sol, todo um novo Universo surgia diante de mim: eram os sonhos e as mágoas que larguei ao vento, em forma de bolinhas de sabão; eram as palavras ditas e das quais me arrependi, aliadas àquelas que não havia dito; eram os olhares trocados e desviados, mais os olhares cabisbaixos, presos ao chão, para não encontrar os olhares alheios. Tudo isto, formou um novo Universo saído de mim.

As horas iam passando e, quantos mais passos dava, maior se tornava o meu Universo. Diante de mim, das minhas bolinhas de sabão, surgiam os rostos que amei, os rostos que odiei e aqueles que desprezei. Via, também, aqueles que me amaram, que me odiaram e, no fundo,  também aqueles que me desprezaram. Olhei e vi rostos desconhecidos: via ali, possivelmente, o que poderia ter sido e não foi; possivelmente o futuro. Suspirei e continuei a caminhar, sempre a sobrar as minhas bolinhas de sabão.

Surgia, então, diante de mim, um mar imenso. Uma densa floresta do outro lado. Ao longe, tão longe, a cidade da qual me afastava. No horizonte, conseguia ver a noite, o nascer do sol, o dia alto e o pôr do sol. Em perfeita harmonia, começavam onde terminavam os outros. O mar era infinito e imponente, bem como o meu medo e todo o meu respeito.

Pus a mochila às costas e saí, soprando as minhas bolinhas de sabão. Delas, nascia todo um Universo, criado do que existia dentro de mim: o melhor e o pior. Uniam-se as coisas em harmonia. Um dia, um certo dia, dei por mim neste mundo, sem bem saber, nem compreender como vim aqui parar. Hoje, sonho com um outro mundo, um outro Universo: tão vasto como o Universo em si, tão profundo como o mar.

Como se todo o Universo pudesse nascer de novo de bolinhas de sabão, deixei-me levar pela fantasia. Sou, também, uma bolinha de sabão levada pelo vento, que algum dia uma criança amou, enquanto as soprava com os seus pais num jardim qualquer e os risos ecoavam pela tarde.

Texto no âmbito do Desafio de Escrita do Triptofano.

Quando o Desconforto Dá Lugar à Mudança

01.04.22 | Bruno

Como adivinhei quando aceitei participar nos desafios de escrita, tenho passado dias sem escrever. Não fossem esses mesmos desafios e acabaria por passar dias, senão semanas sem escrever. Bem que, muitas vezes, penso que gostaria que o meu blog fosse algo famoso e que pudesse viver disso mesmo, mas como quero fazê-lo, se não me sento para escrever, se não cativo o público?

Também, o pouco que escrevi antes de migrar o meu velho blog para aqui, foi sempre de mágoas ou de tristezas. Como já referi várias vezes, prefiro escrevê-las do que ter de falar com alguém. Há muito, muito tempo que desisti de falar do que me aflige, porque há sempre questões adicionais, porque, para algumas pessoas, é estupidamente difícil de escutar e deixar alguém sofrer, sem querer entrar numa espécie de competição a ver que teve situações piores na vida. A vida não é apenas uma competição: um ombro amigo, silencioso e sem julgamentos (ou com julgamentos silenciosos) vale muito mais que imensas saídas à noite para copos.

Contudo, não era isto que vinha aqui escrever, mas excitei-me. Desculpem lá. Ou, de certo modo, até é.

Costumo ir ao café à noite e claro que, quando começa a frequentar-se o mesmo sítio durante algum tempo, conhecem-se as pessoas, travam-se conhecimentos, fazem-se amizades - imperfeitas ou não, não importa - e brinca-se com as pessoas. Talvez eu esteja muito sensível, mas há certas palavras que me afligem secretamente. Não, não me afligem ao ponto de me magoarem, mas consegue-se que me questione. E ainda que possa ser mau, não foi o caso.

Sem querer entrar em detalhes, acabo por tornar coisas simples em textos confusos. Sem querer falar nesse amante que deixei ir, certas pessoas que tenho vindo a conhecer e com as quais brinco, acabam por recordar-me certas coisas que escolhi para mim, em prol de outros, mas que, no fundo, faziam-me sentir bem comigo mesmo. E acabavam por fazer-me sentir bem. Não me queixo, contudo não consigo deixar de sentir um certo desconforto.

Estou sem saber como dar continuidade a este texto. E é, nesta altura, que por norma deixo os textos a meio e meto para aqui uma qualquer conclusão, simplesmente por que é demasiado desconfortável estar a ponderar o que possa vir a seguir. Neste caso, poderia ser uma conclusão qualquer, como tentei escrever, de esperar que possa vir a tomar decisões baseadas naquilo que quero para mim, sem qualquer influência externa de uma conversa ou brincadeira parva. Mas acontece que sei que, por muito que o diga e escreva, haverá sempre alguma coisa que se baseie nos outros, porque conheço-me de cor, ainda que não me entenda.

Imagino, então, que esteja na hora de concluir isto. O meu desconforto está patente e, ainda assim, não é um desconforto mau de todo. Acho que há todo um estigma à volta de certas palavras e de certos sentimentos, que fazem com que muita gente entre em cruzadas contra brincadeiras e palavras. Por vezes, este desconforto é um ponto de partida para um crescimento, para uma mudança, para um maior cuidado connosco, para algo melhor. E é bom que haja sempre uma situação que permita uma mudança, um crescimento, uma mudança. E é isso que quero: crescer e mudar, porque, onde e como estou, não estou confortável.

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