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As Crónicas da Vítima

As Crónicas da Vítima

A minha ansiedade e as redes sociais

16.10.21 | Bruno

É de madrugada e, muito possivelmente, deveria estar a dormir. No entanto, aqui estou, a escrever um texto, para exorcizar, mais ou menos, os meus demónios. Mas como dizia uma frase que partilhei no Facebook numa destas noites: "não adianta queimares incenso, se a energia negativa da tua vida és tu".

E não foi por acaso que mencionei o Facebook: acho que o título deste texto é explicativa por si só. Sem fazer grandes retrospectivas, nem entrar em grandes detalhes, já sofri com uma depressão profunda no passado. Actualmente, ainda que não tenha procurado qualquer diagnóstico profissional, tenho noção de que todos os indícios não me falham: a depressão anda por aqui, com maior ou menor intensidade. Além da depressão, algo recorrente na minha vida, é a ansiedade. E ainda que o título faça menção às redes sociais, não são as mesmas que me provocam ansiedade; no entanto, quando a minha ansiedade está a rubro, nota-se através das mesmas. Não sou como uma boa amiga minha que, em fases mais depressivas, faz alusão a isso em publicações do Facebook: sou antes alguém que segue e deixa de seguir contas no Instagram e no Twitter, porque, dentro de mim, sinto que não faz diferença se seguir ou não aquelas pessoas; ou, então, penso que não vale a pena seguir aqueles com quem já não me dou, nem vejo de forma diária, mesmo que signifiquem algo para mim; ou, como por exemplo, há pouco no Instagram, a seguir vários actores, para deixar de segui-los logo de seguida.

Não só li artigos, como já li várias entradas de blogs que mencionam as redes sociais como possíveis potenciadoras de ansiedade: acredito e aceito, mas, como já mencionei, não é o meu caso. No Instagram, basicamente só sigo pessoas conhecidas, alguns artistas, actores (alguns pornográficos) que não estejam no Facebook ou no Twitter e de quem goste; no Twitter, tenho pensado em seguir vários actores, dos que via em miúdo e dos que vou vendo em séries, sigo músicos, poucas pessoas conhecidas, algumas páginas e alguns actores pornográficos (alguns, mais humanos que o utilizador  normal do Twitter), contas políticas nacionais e europeias; no Facebook, sigo um pouco de tudo o mencionado anteriormente, além dos amigos e conhecidos adicionados. Destas redes sociais, o Facebook não sofre grandes alterações, mas são o Twitter e o Instagram que vêem a maior manifestação ansiosa do Bruno, a seguir e a deixar de seguir pessoas e depois a ficar ansioso, por não seguir quem deixei de seguir minutos antes.

Sei que, muito provavelmente, deveria procurar ajuda profissional, mas não quero acabar como da última vez que estive numa consulta de psiquiatria, há uns dez anos, em que saí com uma receita de dois antidepressivos diferentes, um controlador da ansiedade, um estabilizador de humor e comprimidos para dormir. Sinceramente, para isso, prefiro ir ali ao traficante da esquina e fumar umas ganzas e drogar-me com alguma coisa de qualidade. Entretanto, vou manifestando a minha ansiedade nas redes sociais, vou escrevendo textos destes, vou ouvindo umas músicas e vendo os dias a passar todos iguais aos outros. No fim de contas, nada disto é por acaso, nem os últimos anos foram fáceis (se é que alguma parte da minha vida o foi), nem há ninguém que me puxe para cima nestas alturas, pelo que, olhando bem lá para trás, estou orgulhoso de manifestar-me exclusivamente assim, ao invés de escolher uma rota mais obscura.

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