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As Crónicas da Vítima

As Crónicas da Vítima

Devaneios e Lembranças

05.03.22 | Bruno

É curioso como, quando era adolescente e antes de ter sido atingido à força pela depressão, desenhar ajudava-me a acalmar a alma. Passava horas de volta de papéis, fazia desenhos rápidos, conseguia desenhar minimamente bem e, no fim, sentia-me esgotado como se tivesse transposto toda a minha alma naquela "obra de arte".Ainda durante o secundário, a minha amiga Luísa propôs-me que escrevesse, para complementar o sentimento que tirava de desenhar e foi assim que nasceu, mais ou menos, esta jornada que tem durado até hoje. E, a partir do momento em que comecei a tratar a depressão que tinha na altura, a partir do momento em que comecei a ser medicado, perdi todo o interesse no desenho, porque sentia que não havia muito que pudesse fazer. Se o arrependimento matasse...

Hoje em dia, escrevo. Para mim e só para mim. Escrevo nesta plataforma, após ter abandonado o Blogger (vulgo Blogspot) e ter decidido migrar as minhas velhas publicações para uma nova plataforma - as mesmas publicações que migrei para aqui, foram migradas para o meu blog em Inglês. Escrevo e, sinceramente, fico feliz de não me ter perdido por completo, quando me perdi da arte desenhada e pintada. Acho que, muitas coisas que passei não teriam sido tão "suaves" como foram, se não fosse pela escrita.

Enquanto ouço esta música, resquícios da minha adolescência, penso no tempo em que desenhava sem importar-me com o que diziam ou diriam os outros, em que batalhava para melhorar, sem achar que tinha certezas do que fosse. E, ainda que a escrita tenha ajudado a salvar-me e que me mantenha à tona muitas vezes, ainda não é suficiente. Penso, muitas vezes, em voltar a desenhar e em utilizar a Internet para procurar formações (tutoriais) de desenho e pintura, por forma a preparar a minha aprendizagem da arte, uma vez mais. 

Escrevo, neste momento, porque decidi avançar num dos desafios a que me propus, quando os encontrei pela plataforma do sapo, mas acabo por, no fundo, depositar mais um peso da minha alma - eu até sou engraçado e divertido, juro, mas tenho tendência a não o ser quando escrevo. Como já disse (escrevi) algumas vezes, a escrita é uma forma de libertar-me de demónios e de exorcizar-me, pelo que a minha tendência é expulsar a natureza melancólica da minha alma.

Para mim, é tarde na noite, ainda que o dia já dê sinais de começar lá fora - uma vez mais, resquícios da minha adolescência, com várias noites acordado a ouvir música e, na altura, a desenhar. Contudo, é aquela hora de deitar-me e dormir um bocadinho. Se, por acaso, lerem este texto, não se preocupem que estou bem: tenho-me sentido um pouco triste ultimamente, mas são sentimentos que, eventualmente, acabarão por ir embora.