Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As Crónicas da Vítima

As Crónicas da Vítima

Hoje, o meu sonho é estarmos todos juntos (melancolia)

08.07.15 | Bruno
Ok. E que é que eu sinto, a esta hora da manhã? E que é que me corre na mente? Quem me sussurra aos ouvidos as histórias de outros dias e de outros tempos?

Em tempos, fomos felizes e fomos inocentes.
Em tempos acreditámos poder deitar-nos nas núvens e olhar cá para baixo, dizer adeus e sorrir. Sorrir muito, sorrir ao vento e às árvores que dançam. Sonhámos sorrir ao mundo e acenar: quão mais fácil seria a vida se, como uma criança inocente num comboio, disséssemos adeus pelas janelas da mesmo, a um qualquer desconhecido, com um rasgado sorriso no rosto?
Em tempos, sonhámos ter todo o mundo nas nossas mãos. Em tempos, sonhámos. Em tempos quisémos e desejámos, e vivemos. Hoje, resta-nos sobreviver num mundo doido, pautado pelas diferenças, pelo abuso do poder, pelo ódio. Hoje, resta-nos ver o mundo através de um bocado de plástico ou lutar na guerra. Hoje, resta-nos a destruição.
Em tempos, sonhei. Sonhei com os meus castelos, cavaleiros cansados a percorrerem os campos de regresso ao castelo, cavalos a correr livremente... em tempos, quis todo este mundo. Hoje, sonho com o meu campo de estrelas. O meu campo de estrelas, árvores feitas de sonhos; mantas de retalho, compostas de sonhos... muitos sonhos, que fariam um novo mundo.
Hoje, o meu sonho é voltar atrás. Voltar aos dias em que era feliz. Hoje, sonho que nos encontremos todos, que nos reencontremos de roda de uma fogueira. Cantaremos, alegres ou melancólicos, as canções que a vida nos tiver ensinado. Não seremos nada para lá daquele momento. E estaremos todos juntos a todos - os que nos queriam e os que queríamos; os que desconhecemos que estão para chegar. Hoje, o meu sonho é dormir e encontrar-me, lá nesse mundo com o qual sonho. acordes de guitarra, incenso que queima na imensa noite estrelada e nós, todos juntos. Lá, naquele sítio dos meus sonhos. Dos teus sonhos. Estaremos juntos, lá naquele sítio para onde vamos. E tudo o que vivemos não valerá mais do que um punhado de areia largado ao vento.